Por esses dias me peguei refletindo acerca de uma frase tão clássica na boca do povo brasileiro que já é quase um jargão: “Esse Brasil, do jeito que está indo, só faz sofrer o povo brasileiro. Vamos lutar por esse nosso país maravilhoso”, ou algo do tipo.

Confesso que me intriga, e muito, fazer a separação dessas três figuras: O Brasil ruim (quem é?), o povo sofrido (coitados!), e o Brasil bom (conhece?). Na maioria das vezes começo a traçar uma teoria acerca desse jargão vicioso, o que me faz pensar que a humanidade já não tem mais jeito.

Primeiro vamos tentar entender aonde se quer chegar com essa frase. Claramente temos dois Brasis: o bom, aquele por qual devemos batalhar e do qual devemos nos orgulhar, detentor de belezas naturais e riquezas minerais; e o Brasil ruim, estapafúrdio, mesquinho, que come a cabeça do povo e cospe num canto qualquer. A terceira figura é o povo. Coitado do povo! O povo só faz sofrer, só paga imposto, não tem nada de valor na vida. Quem um dia salvará esse povo?

Separados os personagens, tentemos entender o porquê da separação de um país em sua nação (seu povo), um Brasil ruim (qualquer governo de situação) e uma outra utopia que não entendo bem (o Brasil bonzinho).

O povo brasileiro, desde que os portugueses aqui chegaram, é um povo maltratado, sofrido, colônia de exploração por excelência etc. Dai que até hoje são tratados como um bando de coitados que não possuem vontade própria. Isso não é o que mais me confunde. O que mais me põe à pensar é o fato desse mesmo povo, que terceiriza a culpa de todas as tragédias que acontecem a sua volta para o primeiro governante que aparece, colar na prova da escola; faltar às aulas para assistir “Netflix”; ser dado aos vícios tecnológicos de tal forma que vivem enfurnados na tela de um celular; não gostar de trabalhar – ou estudar, ou estagiar, ou de fazer um bico para descolar um trocado-, ou seja, não fazer a mínima questão  de trabalhar, aqui em sentido figurado, para “proteger o Brasil bonzinho”.

8jul29014---david-luiz-chorou-ao-falar-com-reporteres-apos-derrota-do-brasil-1404921520003_720x480O que eu vejo nessa frase, cada vez mais repetida pelos lamuriantes, diga-se de passagem, é uma eterna desculpa para o que dá errado na vida deste país. Ninguém (sempre tem alguém, que fique consignado!) está disposto a botar a mão na massa para trabalhar por melhorias, e quando se dedicam a alguma coisa, pode ter certeza que com o mais puro intuito de enriquecer, não de contribuir para o coletivo. Poucos ainda trabalham por amor ao que fazem ou ao que a profissão exercida proporciona aos demais.

O exemplo mais claro disso, e para não sair de nossa seara, está nos infinitos cursos de direito existentes nesse Brasilzão. Muitos cursos, de baixa qualidade, que se aproveitam das facilidades do Financiamento Estudantil existente para atrair estudantes pouco preparados e muito interessados num diploma, ajudando a espalhar pelo país maus profissionais. Ora, esse aluno que pouco se dedicou para sair da faculdade, se eventualmente obtiver aprovação em um Exame da Ordem, será um advogado pobre, não pobre de dinheiro, mas de conhecimento. Será mais um do povo a colocar em risco o direito de um outro cidadão carente por falta de preparo.

A culpa não é exclusiva das universidades predadoras existentes no mercado, mas também da categoria de estudante universitário que vemos em nosso país. Não querem saber de pegar um livro para ler, de fazer um trabalho da faculdade (hoje se encontra pronto na internet), de entregar esse trabalho na data acertada, de ir na aula, monografia então… Um verdadeiro MERCADO! E não venha me dizer que a culpa é do sistema de educação que é de má qualidade porque muitos alunos possuem interesse pela aprendizagem mesmo vindo das piores escolas públicas.

Agora me digam, quem é que ferra com a vida “do nosso povo sofrido” (parafraseando Davi Luiz no eterno 7X1)?

A reposta para essa pergunta e para a feita mais acima é a mesma: O PRÓPRIO POVO.

O povo contribui muito para o que de mais ruim exista em nosso país, seja vendendo seu voto em frente à zona eleitoral, seja comprando ou copiando um trabalho e deixando de trabalhar sua capacidade intelectual, seja arrumando atestados médicos com amigos influentes para faltar aos compromissos, e de muitas outras maneiras. O povo é coitado, mas o povo boicota para levar vantagem, estranho, né?

Vejam, não quero isentar os governos de situação (aqui em todas as esferas de poder), que possuem muito mais deveres para com a população do que qualquer um, mas tão simplesmente afastar essa mentalidade vitimada que assola a população brasileira. Está na hora de pararmos de apontar o dedo para os outros e passarmos a assumir a culpa por não darmos o nosso melhor em contribuição para a formação de uma nação forte!

O caminho é árduo, mas a mudança de pensamento e de concepção e perspectiva de vida são os primeiros de muitos passos que deverão ser dados para reestruturarmos nossa fé numa nação mais justa! Se não nos posicionarmos de forma diversa da do “coitadinho”, eu garanto que a espera por um herói será eterna.

 

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