O fim de uma era: Ministra Eliana Calmon se despede do STJ

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A 4 dias da aposentadoria, a ministra Eliana Calmon manda mensagem de final de ano. No vídeo, a ministra diz que é hora de fazer um balanço e de pensar na concretização dos sonhos para o ano que chega.

A ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça, despediu-se da 1ª Seção (reunião de duas turmas), especializada em direito público. A ministra, 69 anos, notabilizou-se por sua recente atuação, durante dois anos, como severa corregedora nacional de Justiça. No próximo dia 18, depois de 14 anos no STJ, ela se aposenta oficialmente, e logo formaliza sua filiação ao partido Rede Sustentabilidade, da ex-senadora Marina Silva – ainda sem registro aprovado – e anuncia oficialmente sua candidatura ao Senado, pela Bahia, nas eleições do ano próximo, concorrendo pelo PSB.

“A vida é um livro e a gente vai passando as páginas. Quando eu passo a página, eu tenho muita saudade, mas, no mesmo momento, eu me entusiasmo para dar continuidade à leitura da página seguinte”, disse.

Eliana Calmon é mais conhecida por sua passagem no CNJ do que pelo STJ. Dada a frases de efeito e declarações de repercussão, quando corregedora nacional, ela traçou como meta própria acabar com a corrupção no Judiciário. Era o que ela reputava ser o principal problema da Justiça. Em entrevista chegou a dizer que estava à caça dos “bandidos escondidos atrás da toga”.

Ao terminar minha trajetória, quero simplesmente dizer: obrigada, vida; obrigada, destino; obrigada, Judiciário; obrigada, servidores queridos; obrigada a todos que, em um surdo complô cósmico, fizeram a felicidade de Eliana Calmon.

Ministra e a inclusão feminina

Falando em nome da Corte, a ministra Nancy Andrighi destacou a importância de Eliana Calmon para a magistratura brasileira e lembrou que coube a ela abrir as portas para a inclusão feminina na composição do STJ. Todas as mulheres desse país são gratas a vossa excelência, afirmou.

O fato é que a saída da primeira ministra do STJ é uma grande perda para o judiciário e para a sociedade em geral. Mas toda trajetória tende a ter um fim e Eliana fez muito bem o seu papel no ordenamento jurídico. Espero que a mesma consiga realizar mudanças também no cenário político. Embora uma casa legislativa tenha muito mais complexidade causídica do que qualquer tribunal de instância superior. Quem decidirão se a ilustríssima ministra representará o povo no legislativo somos nós. Inclusive somos nós os responsáveis por ter colocado nossos representantes no poder, espero que ela nos represente bem. Fazendo 10% na política do total do que ela fez no judiciário já está de bom tamanho.

 

Fontes: CONJUR, Migalhas, STJ

Henrique Araújo
Henrique Araújo
Sergipano; Componente do grupo de pesquisa Educação, sociedade e Direito (CAPES/CNPQ); Advogado; Eterno estudante de Direito; Coautor do livro: Ensaios de Direito Constitucional - Uma homenagem a Tobias Barreto; Fã de xadrez e ficção científica.
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