A importância de um especialista.

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Especialista

Hoje tive uma grata surpresa ao atender um cliente que buscava um especialista em Direito Imobiliário.

Isso não é normal.

Ele tinha um caso complexo de usucapião (e digo “complexo” porque era mesmo muito enrolado) e buscou em todo canto um especialista no ramo.

O fato de ele me encontrar não quer dizer necessariamente que eu seja o melhor advogado imobiliário da região (ou o mais especializado), pois ele veio até mim apenas por indicação de um cliente/amigo meu, no qual ele confia muito.

Porém, o fato que verdadeiramente me alegrou foi enxergar nele uma atitude que é difícil ver nos clientes:

a busca por um advogado especialista.

E vou explicar o porquê da minha alegria.

O Direito, como ramo da ciência, é gigantesco, é imensurável.

A cada dia mais e mais material científico é produzido, mais e mais estudos são finalizados e publicados, mais e mais teses são defendidas na academia e nos tribunais por todo país.

A cada ano, novas teorias são aceitas e caem, são acatadas pelo STJ ou refutadas pelos STF.

Sem contar as milhares de normas que entram em vigor todos os anos por aqui.

Tudo isso faz com que o estudo do advogado seja perene e cada vez mais aprofundado.

Pois bem, e o que isso tem a ver com meu cliente de hoje? Tudo.

Em razão da quantidade de conhecimento produzido e aplicado hoje em dia – e também para garantir a própria sobrevivência no mercado – é primordial que o advogado busque se especializar em uma área de atuação.

Por mais que no começo seja preciso diversificar e talvez trabalhar com várias naturezas de processos (até para ganhar mais experiência no “traquejo” da profissão) é essencial que ele busque cursos, especializações, atualizações, leitura e estudo em uma área específica do direito em que ele queira atuar.

Pode ser uma área que ele goste, que tenha mais prática, que “dê mais dinheiro” ou simplesmente que ele admire. Todo estudo vale a pena.

Com o tempo, e com algum esforço, naturalmente estará atuando especificamente nesta área e, se fizer um bom trabalho, será reconhecido nela (pelos clientes e pelos outros advogados).

Porém, o maior entrave muitas vezes está do lado de lá da mesa do advogado.

Por desconhecimento, por falta de opção e frequentemente por economia os clientes não pensam em buscar um especialista na área de seu processo e muitas vezes reclamam da atuação do advogado.

Quando falo especialista, nem sempre quero dizer aquele que somente possui mais diplomas na parede. Pode ser também aquele que o cliente saiba que atua em processos semelhantes ou que tem boas indicações nesta área.

É mais ou menos como na medicina. Se você está com uma dor de barriga incrível o médico de plantão pode até resolver a emergência, porém certamente você vai procurar um “gastro” para te solicitar os exames corretos e diagnosticar precisamente a doença, prescrevendo os procedimentos médicos necessários.

Assim também é no direito.

Confesso que às vezes falta humildade a alguns colegas em assumir que não trabalham com determinada área (e já faço aqui a mea culpa, pois também luto contra esta atitude), poupando tempo precioso do cliente e dele próprio. É claro que não seria o caso de simplesmente dispensar o cliente, mas às vezes manter um bom círculo de amizades para indicar um colega que entenda do assunto ou até se associar com outro advogado que atenda a uma eventual demanda que exista em seu escritório faz bem para ambas as partes.

Quanto aos clientes, é preciso que procurem um profissional que atenda às necessidades daquele processo específico. Nem sempre aquele “advogado-amigo” é a melhor pessoa para te representar naquela demanda. Um advogado especializado em direito criminal raramente é um expert em usucapião. Uma advogada que atua no direito de família dificilmente sabe os meandros do direito administrativo. Isso até parece meio óbvio, mas sempre existe alguém perguntando ao advogado civilista sobre aquela fiança que o cunhado teve que pagar na delegacia para ser liberado.

É claro que existem exceções, mas são raras, porque dificilmente uma pessoa normal consegue tempo o bastante para estudar com qualidade mais de uma área de cada vez. É natural isso.

As especialidades estão aí para ajudar a ambas as partes: aos advogados porque vão prestar um serviço de melhor qualidade (e, naturalmente, melhor remunerado) e aos clientes porque terão mais tranquilidade ao confiar a representação legal de seus conflitos a alguém preparado especificamente àquela questão.

Portanto, é preciso que se valorize mais o estudo e a aplicação do profissional em sua área de interesse, até por que isso vai favorecer a ocorrência de um resultado positivo no processo e muitas vezes a “economia” que se faz pagando um advogado “mais barato” é perdida no tempo do processo que se alonga mais do que deveria (num Judiciário que já é demorado por natureza) ou na indicação errada da medida jurídica a ser tomada.

Acredito sinceramente que, agindo desta maneira, clientes e advogados só tem a ganhar.

Bom… quanto ao meu cliente de hoje, vou fazer o máximo para ajudá-lo com a usucapião, buscando atender às suas expectativas e esperar que mais pessoas também tenham esta atitude que certamente causará um bom impacto na advocacia de modo geral.

Advogado. Diretor Jurídico e de Relações Institucionais da Câmara Municipal de Salto de Pirapora/SP. Pós-graduado em Direito Contratual e em Direito Imobiliário pela Escola Paulista de Direito. Entusiasta da Mediação e da Arbitragem (pública e privada). Editor do site MegaJurídico.com

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