Exame da OAB: o pulo do gato!

Meus caros, normalmente o dia de hoje seria voltado para publicação de um artigo sobre Direito do Consumidor mas, como neste fim de semana teremos a tão aguardada prova da segunda fase da OAB, gostaria de compartilhar com vocês de forma bem sucinta a minha modesta experiência desfrutada em meados de 2015 (XVII Exame da Ordem), principalmente porque na época, embora tenha pesquisado com afinco na busca por informações sobre as duas fases da prova, encontrei poucos relatos de pessoas narrando suas experiências e trazendo à tona o “pulo do gato“.

pulo gato
Miau!

Pressão.

Todos nós nos encontramos em situações diferentes. Uns já formaram. Outros se encontram na reta final do curso de Direito. Uns irão fazer pela primeira vez a prova de segunda fase. Outros já vêm tentando passar há algum tempo. Porém, para quase todos o sentimento é a mesmo: pressão! Foi assim que me sentia quando estava terminando meu 9º período do curso de Direito e havia decidido me inscrever já para a prova da OAB. No meu caso específico eu sofri um certo atraso na minha graduação devido a algumas transferências de faculdade realizadas, logo me sentia na obrigação de passar de primeira na distinta prova da OAB. A realidade é que as pessoas lidam com a pressão de formas diferentes, isto é, alguns felizardos nem a sentem. Porém, nós, meros mortais, acabamos por passar por múltiplos surtos e crises de ansiedade diante da sensação de obrigação e das expectativas das pessoas que nos cercam (familiares e amigos). Ouvimos no decorrer de nossa graduação a respeito pessoas que comeram o pão que o diabo amassou penaram até lograrem êxito nesta prova e outras que passaram com considerável facilidade. Diante de tantos boatos eu me perguntava: qual será o meu papel nesta trajetória? A verdade é que passar de primeira ou demorar um tempo extra para passar pode mudar o rumo da sua vida. Se dedicar por alguns poucos meses é diferente de se dedicar por um ano ou anos. Quando o objetivo é alcançado mais rapidamente, ficamos livres para traçar novas metas de vida. Então, independente da situação que você, leitor, se encontra, aqui vai minha primeira dica: MERGULHE DE CABEÇA.

mergulhe
Ou mergulhe de barriga! Não faz diferença.

Arrisque-se.

Já diz o ditado: quem não se arrisca não petisca. Essa é uma dica que vale mais para quem ainda não fez a prova da ordem. Tecnicamente o estudante de Direito já pode se inscrever para o exame no último ano de faculdade. Não perca tempo! Não espere sua formatura ou um momento ideal para se inscrever. Se você já tentou algumas vezes e resolveu “dar um tempo” a dica é a mesma: não perca tempo. Se inscreva e estude na medida do possível, por mais restrito que seja o seu tempo para dedicação disponível. Como já é dito pelo famoso professor William Douglas: não se estuda para passar, mas até passar! Começou a estudar? Estude até terminar. Quer desistir? Passe na prova de depois desista. Por mais que não estejamos falando de concurso público, a dedicação aqui é idêntica.

Como estudar?

Neste momento irei expor o que funcionou para mim e o que pode funcionar para você. Eu não quero aqui dizer que você tem que fazer o que eu fiz. É apenas uma sugestão: exercícios, exercícios e mais exercícios! E isso vale tanto para primeira fase quanto para a segunda. Esqueça a doutrina. Se prepare para a banca. Para a primeira fase estudei pouco mais de um mês e consegui a nota 56 em 80 fazendo somente exercícios. Embora a teoria seja muito importante, em nada adianta saber toda a teoria sem saber a forma como ela é cobrada. Um outro ponto que gostaria de destacar é que o estudo por meio de exercícios não deixa de ser um estudo teórico: um estudo teórico aplicado! Ao meu ver, não há melhor forma de estudo. Segunda dica: faça exercícios de todas as disciplinas, inclusive aquelas menos cobradas. O que percebi foi que estudar uma disciplina menos cobrada e consideravelmente difícil como “Filosofia” fazia com que meu treinamento se aperfeiçoasse, pois estudar a forma de cobrança da banca independe da disciplina. Na segunda fase a instrução é a mesma: exercícios! Só que dessa vez prepare seu punho. Escreva até não aguentar mais. Faça todas as provas e exercícios anteriores. Nesta etapa, caso seja financeiramente viável, recomendo fortemente que se matricule em um cursinho. Por experiência senti muito mais necessidade de cursinho na segunda fase do que na primeira fase. Na real? Não fiz cursinho de primeira fase. Mas isso vai de cada um. Se pretende fazer um curso de primeira fase, é bom ter tempo e dinheiro disponível. Na segunda fase consegui a nota 9.2 em 10 em Direito do Trabalho. Esta prova, ao meu ver, foi fácil. Mas a preparação foi para uma prova difícil e é assim que você também deve se preparar: para o pior!

Na dúvida entre as alternativas, devo marcar a letra “d”?

Esqueça essa lógica ultrapassada. As bancas já estão cansadas de saber dessa “preferência” entre os candidatos. Às vezes funciona, às vezes não. A verdade é que hoje em dia dificilmente funcionará. Quer chutar? Aposte na letra “b”… ou “c”.. até letra “a”. Faça seu próprio levantamento. Pegue alguns gabaritos de provas anteriores e conte a incidência das alternativas corretas de acordo com as letras. Eu fiz isso e percebi que não existe padrão. Ao menos para FGV! Na verdade, com algumas exceções, verifiquei uma menor incidência de alternativas “d” corretas. Mas isso também não quer dizer muita coisa.

Estude Ética!

Se existe uma disciplina “chave” para a aprovação é a de Ética e Estatuto da OAB. A lógica é simples: temos 80 questões e temos que acertar 40. Acerte as 10 de Ética (que é uma disciplina relativamente fácil) e terá que acertar apenas 30 questões das 70 restantes para obter sua aprovação na primeira fase.

Descanse no sábado e no domingo!

Isso vale em qualquer das fases do exame. Muitos insistem em fazer o contrário mas, honestamente? Não vale a pena. Aquela máxima de que “o que aprendeu.. aprendeu.. o que não aprendeu.. não aprendeu..” é verdadeira! Se matar de estudar no dia anterior ao dia da prova e no próprio dia da prova pode ser um tiro no pé erro. O que eu quero dizer aqui é que chegar descansado no local da prova é uma vantagem imensa. Acreditem! Por outro lado, por mais preparado que o candidato esteja, chegar cansado ou fatigado no local da prova pode ser sinônimo de reprovação. Eu já passei por isso e vivenciei as duas experiências. Portanto #fica a dica seja estratégico!

Fique atento à lei seca.

Não tenho muito o que falar aqui, apenas que estamos diante de uma prova legalista. A banca curte o que está positivado ou entendimentos que já estão consolidados! Quer uma prova desta afirmação? É só verificar que 90% ou mais das respostas da prova estão no seu Vade Mecum.

Use materiais de qualidade.

Cuidado com as zebras!

Não estude com qualquer material. Procure coisa de qualidade! Isso é fundamental principalmente na segunda fase. Use material atualizado! Pesquise! Usar o material certo na hora da prova pode ser decisivo. Se for viável para você financeiramente, faça um bom investimento sem pensar duas vezes. Recomendo também precaução. É interessante ter um material “reserva“. Vai que dá zebra? Não esqueça também de ler e reler o edital. Leve tudo o que for permitido e, por favor, não esqueça da caneta e de sua identidade. Cuidado com as marcações de código, isto é, não desafie o examinador! Não são as marcações que farão você ser aprovado no exame, logo, não abuse delas. Na “hora h” elas nem fazem tanta diferença assim. Chegue com antecedência no local da prova.

Nem é uma prova tão difícil…

Ora, é muito fácil falar isso depois de já ter passado na prova, certo? Talvez, nobre leitor. Até mesmo porque o grau de dificuldade varia de edição para edição. A prova é um desafio, isso não vou negar. Mas temos uma tendência natural em “aumentar” aspectos negativos quando estamos assombrados pelo medo do fracasso. Mas uma afirmação posso fazer: uma prova difícil pode vir a parecer fácil se sua preparação for de alto nível. Portanto, preparação, meus caros, .. preparação!

Entre em desespero!

Entre em desespero! Esta é uma sugestão nada convencional, certo? Mas não adianta eu afirmar aqui para você fazer a prova com tranquilidade. A verdade é que só quem não se preparou ou é um gênio do Direito não fica nervoso na hora da prova. Se você esta ansioso, agoniado, inquieto, aflito ou angustiado, isto é um sinal de que você esta vivo! Ou melhor, é um sinal de que você está preocupado e, naturalmente, atento para o que está por vir. Admito que na primeira fase quase tive um ataque de pânico no meio da prova e na segunda fase quase perdi as forças (literalmente) na entrega dos cadernos. Só que, no final, deu tudo certo, e também será assim com você. Seja persistente e boa sorte!

Quer ler mais? Confira dicas para redigir uma peça de penal na 2ª fase do Exame da OAB AQUI.

 

Luan Madson Lada Arruda
Luan Madson Lada Arruda
Advogado. Pós-graduando em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho. Compõe o Corpo Editorial do site/blog MegaJurídico. Elabora quinzenalmente diversos artigos jurídicos em múltiplos campos da área do Direito. Aprecia o mundo jurídico sob todos os seus ângulos. Dedica-se à propagação dos conhecimentos legais de uma forma compreensível para o leitor.
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