Concurso Público e a Jornada do concurseiro

Caros internautas,

Não vou começar a coluna pedindo desculpas porque eu sempre faço isso. Vou deixar meu pedido para o segundo parágrafo e depois.

Me desculpem, meus queridos! Mas quem vos fala esteve de mudança do Rio de Janeiro para São Paulo nos últimos meses. Só ontem acabaram de chegar os móveis. Isso sem contar o tempo que passei nas cavernas sem internet (a conta do celular estourou algumas vezes). Mas mesmo sentada no chão apoiada num puff amarelo ovo, com um CPU com gabiarra na tela TV, eu vos escrevo. Tá, e daí? E daí que isso tudo foi só porque o dia que a gente acha que nunca vai chegar finalmente chegou. AHM!? Sim, meus preciosos, O DIA DA POSSE CHEGOU! E melhor ainda, o dia do exercício (e melhor do melhor ainda o dia do pagamento)! Acho que posse em cargo público, mudança de vida e cidade são uma ótimas justificativas para minha ausência, não? Ok, pode não ser. Mas apesar de saber que nada disso supre as minhas faltas, persisto em advogar ao meu favor alegando e mantendo a promessa de continuar com a coluna às quartas com a qualidade de sempre, desde que, por óbvio minha chefa que tanto me apoiou nos estudos e que me deixou muito tranquila quanto ao trâmite da posse, me permita (se ela não deixar a gente chama os black blocs, partimos para o RJ e protestamos!). Ou a gente processa ela. Se bem que nesse caso seria meu o abandono de emprego…mas não vamos entrar nesse mérito, não é mesmo? Hehehehe

Vamos falar de coisa boa!? Não é lá uma TekPix, mas gostaria de dividir, nesse primeiro momento (ou até minha cadeira de computador e meu monitor chegarem para que eu possa produzir finalmente a parte II do novo texto dos recursos) minha experiência de quem decidiu virar concurseira até ser analista judiciário. Não foi moleza, pessoal, mas hoje sei o que significa a frase “somos donos da nossa própria história”. De fato existem coisas que não podemos controlar, mas podemos sempre reduzir riscos, não é mesmo? Explico melhor a seguir. Então, senta que lá vem história!

jornada- Antes mesmo de decidir que queria fazer direito já almejava um cargo público. Venho de uma família de muitos concursados, de médicos a auditores. A cultura sempre foi muito forte dentro de casa, apesar dessa escolha de carreira nunca ter sido tratada como obrigação ou imposta.

Nos anos finais da minha da minha faculdade resolvi colocar minha cara a tapa. Foi quando comecei a colecionar fracassos. E o pior dos fracassos é aquele que acontece quando estamos empenhados em nossas tarefas. Talvez por isso muita gente desista de fazer concurso. Perder jogando o melhor que pode, ao contrário do que se diz por aí, não é recompensador, é extremamente traumatizante. Minha primeira queda foi bem assim (aviso desde já que as seguintes foram bem piores). Ao saber da autorização do concurso do MPU, iniciei a jornada de estudos o quanto antes. Foram horas de dedicação, estudando o rebuscado e quase indecifrável português para concursos, matérias como administração de materiais e arquivologia eram meus piores pesadelos, juntamente com o temido RLM. Fazia aulas nas férias, de manhã e de noite (isso sem contar os sábados e domingos). Resultado: fiquei em 5000 e lá vai fumaça. Nem próxima de ser chamada, mesmo que o concurso tivesse validade de 100 anos. Desanimei muito, mas como estava fazendo faculdade, não fiz da situação uma sangria desatada. Em março de 2011 fiz o TRF1 (excelente prova da FCC. Vale fazer a prova de português para treinar) em Brasília. Fiquei em 1048 (ou próximo). Ruim, ruim, mas tava melhor. Conclui o TCC, me formei com o seguinte pensamento: “lascou, tô desempregada. Agora que começa tudo de verdade”. Resolvi meter a cara e estudar como se não houvesse amanhã, porém ainda sem foco. Em novembro de 2011 era a prova do PROCON-DF. Apesar de muitas pessoas terem me dito que o órgão era um cabide de emprego (espero que os colegas concursados estejam transformando essa realidade), resolvi passar 3 meses em BSB estudando para o referido concurso. O apoio da família e do namorado (que me aguentou bravamente por 3 anos vivendo concurso) foi importantíssimo. Não estaria aqui com vocês sem eles. Estudei bastante e galguei o 194º lugar. Apesar de poucos aprovados terem sido chamados, na época fiquei muito feliz com meu resultado. Fiquei tão confiante ao ponto de tentar o tão esperado e concorrido concurso do TJ-RJ. Fiz, inclusive 2 provas: OJA e analista. Nessas horas nós descobrimos que: quanto maior a nossa altura, maior a nossa queda. Fui eliminada da prova de OJA porque zerei informática e para analista (com alguma esperança idiota de ser chamada) fiquei em 900 e muitos. Fail 2011/2012.

Após a decepção dos dois concursos estaduais, soube que viria uma leva boa de concursos na área trabalhista (soube = internet, grupos no facebook e a alarmista FOLHA DIRIGIDA). Me perguntei, sem querer admitir que o defeito era um déficit de inteligência, se o que me faltava não era foco. Hoje olho para trás e concluo: “força, fé e foco” são de fato os 3 Fs que precisamos. Sim, me faltava foco. Mas área trabalhista? Quando trabalhei com a matéria até me interessava, mas nunca me conquistou. Mas por quê não? A prova do TST era em setembro. Voltei a BSB para mais alguns meses de reclusão e estudo contínuo. Hoje agradeço muito aos meus tios (inclui a tia Gardy aqui que me acolheu em sua tão silenciosa casa. Silêncio esse que só era quebrado pela infalível e pontual vendedora de pamonha que todos os dias anunciava sua mercadoria às 16h) e minha madrinha que tanto me apoiaram. Resultado: fail II, ressuraction. Nem fui classificada. Fiquei em 600 e muitos. Parte boa, conheci uma amiga, hoje analista no TRT do Pará, que me acompanhou, e eu a ela, por muitos concursos. Curtimos muitas ansiedades juntas. Sobre ansiedade, vale lembrar que concurso é o maior dos testes para os ansiosos de nascença como eu, pois aprendemos a ter autocontrole. O maior problema do ansioso é a produção excessiva de pensamentos futuros. Imagine isso na cabeça de um concurseiro? Vira uma bomba! Desenvolver seus próprios mecanismos de defesa e autocontrole é essencial. Criar armas para combater seu primeiro inimigo: você mesmo. Aí entra a força. Aqui lemos a expressão como persistência. Lutar suas próprias lutas sem desistir ou fraquejar. Mas às vezes chegamos a um ponto que, após tantos fracassos, nos perguntamos: “será que isso está certo?”. Muitas pessoas vão te dizer que “basta ver que o seu plano não está funcionando”. Se você escolheu estudar para concurso público que for, já ouviu ou ainda irá ouvir coisas como: não está hora de você desistir? Você não está vendo que não está dando certo!? Meu conselho, pequenos JEDIS: só você sabe o tamanho do seu crescimento acadêmico. Muitas vezes a sua colocação não reflete o seu preparo e empenho para aprovação. Portanto, não desistam. NUNCA! Porque a sua hora chega e normalmente é quando estamos já saturados dessa vida de cão de concursos.

Minha saga continuou em 2013 com a maior depressão depois de 1929: a prova do TRT da 1ª região. Quem aqui não quer trabalhar na Lapa, no coração da boemia do Rio de Janeiro? Eu queria. Mas apesar da quantidade absurda de horas dispensadas nesse sonho, meu resultado foi desastroso. Fiz uma péssima prova por excesso de ansiedade. A monstra da prova, além de dificílima, nos dava apenas 4 horas para realizá-la. Ao receber o resultado, me recordo da seguinte cena (música triste por favor: “ooooh byyy myyyseeelf”): encostar na parede de casa e deslizar até o chão aos prantos. Até minha mãe que sempre foi mais durona comigo veio me consolar. O nível de estresse dessa prova foi tão alto que destruiu minha imunidade. Além de deprimida passei 1 semana em casa com crise de sinusite.

Em março de 2013 foi a prova do TRT da 6ª região. Ainda sem saber oficialmente do desastre do TRT carioca, fui para Curitiba. Dica para aqueles que querem viajar para fazer prova: não bebam antes de viajar. Estudos afirmam que você aumenta em 832% a chance de dar zica no avião ou ônibus. O remédio mais indicado para os casos de ressaca e enjoos pelo excesso de álcool é carboidrato. No meu caso: yashisoba duvidoso de congonhas com coca-cola. Apesar desses percalços na ida para Curitiba, consegui ser classificada para AJAJ.

É esse o momento que você pensa que sua sorte vai mudar. Porém, podem esquecer. O que vem por aí são cenas fortes e mais desventuras. Mas vou bancar o João Kleber e só contarei semana que vem (torçam para minha cadeira e meu monitor chegarem logo!).

Até a próxima, pessoal!

Camilla Lindoso
Colaborou com o MegaJuridico escrevendo artigos da área trabalhista, geralmente voltados para concursos do TRT. É bacharel em Direito, aprovada no concurso do TRT de SP, empossada no cargo desde 2015.
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