Ao contrário do que muitos pensam, a depressão na terceira idade, vai muito além de uma tristeza.

É muito comum vermos pessoas, equivocadamente, dizendo: “Estou com uma depressão”, quando, na verdade, tem tristeza.

Depressão é uma doença neuroquímica. Existe um desbalanço de neurotransmissores como serotonina, noradrenalina, dopamina, dentre outros que leva a sintomas como tristeza, falta de vontade de fazer atividades habituais, sintomas como muito ou pouco sono, muito ou pouco apetite, sensação de falta de energia, sentimento de inutilidade, pensamentos recorrentes de morte e, às vezes, ideação e planejamento suicida (estes são alguns critérios que os médicos usam para fazer diagnóstico dessa doença).

A depressão é causada por uma combinação de fatores genéticos, biológicos, ambientais e psicológicos. Segundo a OPAS (Organização Panamericana de Saúde), a depressão é a principal causa de incapacidade em todo o mundo e contribui de forma importante para a carga global de doenças.

O Brasil, segundo dados publicados pela OMS em 2018 no “The Burden of Mental Disorders in the Region of the Americas, 2018”, era o país mais ansioso do mundo com aproximadamente 10% de sua população sofrendo de ansiedade  e o quinto com maior índice de depressão.

Nos idosos, a depressão é frequentemente subdiagnosticada por dois motivos a saber: o primeiro deles é o preconceito. Não é incomum ouvirmos nos consultórios, por parte dos filhos a seguinte frase: “meu pai tem tristeza, mas isso é coisa da idade”. Isso é um erro! Não é porque envelhecemos que ficamos tristes ou deprimidos. A depressão é uma doença, e como tal, deve ser bem diagnosticada para que se tenha um bom tratamento. O segundo motivo é que, em grande parte das vezes, essa doença nos idosos se manifesta com sintomas físicos ou inespecíficos, como dores que não se explicam, tem início insidioso, tem menos queixa de tristeza, quando comparada à depressão apresentada pelos jovens. Além disso, é muito comum ver pacientes com depressão tendo descompensação de doenças crônicas como diabetes ou hipertensão arterial (e ninguém se atenta para este fato) e queixas de memória (sobretudo por déficit de atenção). Segundo dados do IBGE de 2019, dos adultos entre 60-64 anos de idade, 13% deles tinham depressão, o que torna essa doença frequente nesse meio.

Como é feito o tratamento?

O tratamento da depressão é feito com psicoterapia e medicamentos. Associados a estes, existe um papel fundamental na prática de exercícios físicos e na busca por se conectar com a espiritualidade. Acho que esses quatro pilares (psicoterapia, medicação, exercício físico e desenvolvimento da espiritualidade – fazendo uma ponte entre nós e o divino) são fundamentais para um tratamento de sucesso. Ademais, prática de atividade de lazer (aquilo que te dá prazer sem estresse) é fundamental para alívio das tensões e ansiedade.

Por quanto tempo?

Apesar de existirem protocolos para tratamento da depressão que norteiem o tempo de tratamento, cada caso é um caso. O tratamento, hoje em dia, está cada vez mais personalizado e o tempo de tratamento entra nessa personalização do mesmo.

O mais importante é que nos curemos e mudemos nossos hábitos de vida que estavam errados e nos causavam estresse a mais do que conseguíamos suportar. Fica aqui uma dica importante, no tratamento da depressão é importante comer bem e ter uma dieta mais equilibrada em relação a quantidade de carboidratos. Algumas literaturas mostram que pacientes mais “inflamados” tendem a ter mais episódios depressivos e/ ou ansiosos, tanto é que hoje já contamos com psicobióticos no tratamento da ansiedade. Portanto, comer bem também é fundamental.

Se esse for seu caso, se estiver com sintomas que te lembrem depressão, procure auxílio médico  e/ ou psicoterápico o quanto antes: tratar depressão nos devolve a qualidade de vida, não só na juventude, mas também após os 60 anos.

Adson Passos

Médico Geriatra com inscrição no CRMSP 142.409. Profissional com experiência em cuidados paliativos e atuação voltada para a prática da bioética nos atendimentos clínicos. Cardiogeriatria, psicogeriatria e doenças degenerativas.

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