4ª Revolução Industrial e o Futuro do trabalho

4 revolução industrial

Coordenador: Ricardo Calcini.

 

Introdução
Muito se fala na 4ª revolução industrial, indústria 4.0 ou inteligência artificial. Entretanto, esses elementos são conceituados de forma divorciada, aspecto que dificulta a compreensão do que fato vem a ser, e, por último, ter a dimensão do quanto a integralização total deste novo mecanismo produtivo irá afetar nossas vida e profissões.

O que é 4ª Revolução Industrial?

Primeiramente, cabe conceituar o que de fato vem a ser inteligência artificial, indústria 4.0 e 4ª revolução industrial.

De forma resumida, podemos conceituar os referidos da seguinte forma:

Inteligência artificial: Conjunto de bases de dados, o qual, por meio de linguagem de algarismos, se realiza super processamento de dados.

Indústria 4.0: Mecanismo industrial que utiliza diversos elementos de internet, intimamente ligada à internet das coisas IOT, uma vez que todo o setor produtivo possui relação com programação de dados por software, conhecida também por empresa inteligente.

4ª revolução industrial: Fenômeno conhecido por originar-se de altos padrões de conectividade, alta precisão de máquinas, as quais passarão a realizar tarefas de alta complexidade.

Muito embora se pense que o termo inteligência artificial como algo recente, tal conclusão não é verdadeira. Sobre este tema, John MacCarthy falou em uma conferência de cientistas em 1956.

Já no que refere-se a indústria 4.0, esta surgiu na Alemanha, iniciada na empresa Boch. A primeira menção foi realizada na feira Hannover Messe/Alemanha, por Siegfrid Dais, em 2012.

O conceito e análise do quem vem a ser a 4ª Revolução industrial, foi criada pelo Fórum Econômico Mundial que, segundo Daniel Kerimi, é a fusão de tecnologias e interação entre os domínios físicos, digitas e biológicos.

Oportuno mencionar que a 4ª revolução industrial ainda está em fase inicial, uma vez que adaptação do parque fabril a ideia final da indústria 4.0 requer mudanças drásticas de maquinário e até mesmo no que se infere a gestão do negócio.

Embora ainda embrionária, a 4ª revolução já é um caminho sem volta. Assim, compreender de forma antecipada seus efeitos e o que de fato teremos de possuir para estarmos em pé de igualdade, são elementos indispensáveis para o sucesso.

 

Futuro inovador x Presente obsoleto

É fato notório que as tecnologias invadiram de forma irremediável nosso cotidiano pessoal e profissional. A cada novo implemento, vemos como atividades rotineiras podem ser supridas com mero comando de voz. Porém, acima de qualquer conforto que estas máquinas ofereçam, fica uma pergunta maior que o próprio invento sobressai: se estes poderão executar atividades tipicamente humanas, o que de fato será necessário ao profissional do futuro saber/produzir?

Essa característica disruptiva alcançou as profissões. Assim, passou a ser alvo de estudos profundos nos EUA, dentre os pesquisadores, destaco: Thomas Philbeck (diretor do departamento de ciências e tecnologias do Fórum Econômico Mundial), Daniel Susskind (economista, estudioso dos impactos da tecnologias e AI no trabalho e sociedade) Klaus Schwab (engenheiro e economista alemão, fundador do Fórum Econômico Mundial). Embora cada um busque uma linha particular de estudos, todos possuem a mesma conclusão no que se refere ao preparo à educação focada no incentivo a criatividade.

Este aspecto elementar apontado pelos estudiosos parte da premissa de uma formação que não emerge do “ensino industrial”, ou seja, aquele em que você estuda para uma carreira, mas sim desenvolve aptidões para os mais diversos cargos.

Entretanto, por mais lógico que pareça que a ementa de ensino deve acompanhar a evolução social, é interessante a observação feita por Ricardo Amorim no TEX São Paulo/2017, em que certo momento mostra uma sala de aula de 50 anos atrás e em paralelo uma atual. Ressalvada, tão-somente, a mudança na cor da lousa e a vestimenta dos alunos e professora, a matéria e método continuam idênticas, ilustração que retrata de forma espantosa nossa inadequação quanto a métodos e necessidades atuais/futuras de mercado.

Destaque-se, ainda, que este panorama de ementas de ensino que pouco agrega ao profissional do futuro também se estende às universidades, como exemplo, algumas faculdades de Direito que ainda ensinam aos alunos palavras em latim, ou faculdades de Medicina que formam alunos clínicos gerais que não conseguem fazer um diagnóstico simples, senão quando munidos por arsenal de exames.
Nesta nova lógica, parece claro que os velhos métodos de ensino, sobretudo aqueles que se fundamentam no “empilhamento” de matérias, não mais se enquadram naquilo que as empresas esperam de um colaborador. Em verdade, segundo os estudiosos, revelam que dificilmente uma pessoa exercerá o mesmo ofício durante toda a vida, o que reforça a premissa da necessidade de uma gama eclética de conhecimento.

Nesse contexto, oportuno mencionar a fala de um amigo que hoje trabalha para Google. Segundo ele, a primeira pergunta que lhe foi feita no ato da entrevista foi: o que você criou? Afirma, ainda, que ocorrem inúmeras contratações de pessoas que nem sequer possuem formação superior na área, sendo quesito primordial habilidades de inovação.
Dessa feita, observa-se que aquilo que entendemos por expertises necessárias de “empregabilidade” mudaram vertiginosamente, sendo a habilidade da criação e adaptação a força motriz deste novo modelo, aspectos que claramente não se desenvolvem em mecanismos cartesianos de estudos.

 

Tecnologias- Impactos indústria 4.0- Era do pós-emprego

Nesse cenário, em que o diploma não mais será o caminho, muito se pergunta: quais as profissões e as habilidades exigidas deste profissional do amanhã?

Realizar uma análise precisa de quais existirão e quais serão extintas é algo leviano. Entretanto, o pensamento de Daniel Susskind, o qual, em sua obra The Future of the professions (Futuro das profissões), é fonte orientadora. Nela, afirma que “teremos que exercer atividades que os robôs não desempenhem”. Pensamento que por si nos traz um panorama inicial do que reserva o futuro.

Noutra ponta, outro mecanismo de análise quanto a essa questão está na observação de tecnologias que estão sendo implementadas pelo mundo. Isso porque o portfolio de muitas destas inovações são lançadas tempos antes de sua entrada em exercício, situação que nos fornece uma margem de reanálise quanto nossos ofícios.
Este mesmo método é utilizado pelo palestrante e empresário em tecnologia, Arthur Igreja, o qual, em suas inúmeros eventos pelo mundo, demonstra oportunidades de investimentos. E, mais, os impactos que estas acarretarão futuramente, como exemplo, cito sua palestra na IEP (Instituto de Engenharia do Paraná 2017), em que mostra a última invenção da UBER, uma espécie de “drone gigante”, que poderá transportar pessoas pelo mesmo preço de uma viagem de carro. Esta inovação, com cara de filme futurista, tem previsão para lançamento em breve na cidade de Miam/EUA.

Assim, já nos resta antecipadamente a pergunta: o que acontecerá com os motoristas do aplicativo de carro? Lembrando, claro, que sistemas de navegação sem motorista já estão em fase adiantada. Exemplo disso, caminhões da Volvo.

Desta análise, nos cabe a reflexão se estamos interpretando a equação inventos + estudos + profissão de forma correta? Oportuno sempre lembrar que em revoluções passadas, todos, sem exceção, que mantiveram-se refratários às inovações, foram por elas sufragados, amarga cicatriz histórica que nesse momento vale ser revisitada, antes claro, que por nós seja experimentada.

Mas, afinal, qual será o verdadeiro impacto das indústrias 4.0 nos empregos?

Como inicialmente dito, a indústria 4.0 será a integralização total de máquinas, tornando produção racional e inteligente. A partir deste contexto, inúmeras vertentes de estudos sobre seus impactos surgiram, destacando-se duas delas, e, por seus autores mais famosos, quais sejam:

Conforme pesquisadores Michael Osborne e Carl Frey, os quais, em sua obra (The futere of Employtment: How susceptible are jobs to computerisation? (O futuro do emprego: Quais empregos são suscetíveis de informatização?), defendam a extinção de 47% dos empregos existentes atualmente nos EUA com adoção da AI até o ano de 2030.

De outra banda, Klaus Schwab, fundador do Fórum Internacional Econômico, o qual, em seu livro A quarta Revolução Industrial, pág, 12, traz que entendimento oposto:

“Ao pensar sobre a automação e o fenômeno da substituição, devemos resistir a tentação de polarizar nossos raciocinios sobre os impactos da tecnologia em relação ao emprego e ao futuro do trabalho. Segundo Frey e Osborne, o grande impacto da quarta revolução industrial sobre os mercados de trabalho e locais de trabalho em todo o mundo e quase inevitável. Mas isso não significa que estamos perante um dilema homem versus máquina. Na verdade, na maioria dos casos, a fusão das tecnologias digitais, físicas e biológicas que causa as alterações atuais servirá para aumentar o trabalho e a cognição humana; isso significa que os líderes precisam preparar a força de trabalho e desenvolver modelos de formação acadêmica para trabalhar com (e em colaboração) máquinas cada vez mais capazes, conectadas e inteligentes.”

Notadamente, se observa que Klaus Schwab analisa 4ª revolução sob o prisma de que os humanos estarão livres para de fato ocupar-se com questões relevantes. Pensar propriamente situações repetidas, porém, ficam sob comando das máquinas.

Pelo que se nota, primeiramente, é preciso libertar-se da visão futurística à moda de “Exterminador do Futuro”, analisando a A.I. sob uma real possibilidade, qual seja, auxílio e incremento das atividades humanas, sendo um dos maiores exemplos atuais o programa IBM (Watson), cuja precisão é tão superior que atualmente é utilizado por profissionais do mundo inteiro.

Por derradeiro, invoco, mais uma vez, a análise de Arthur da Igreja que para quem os empregos deixarão de existir, mas não trabalho. O trabalho, por seu turno, será a fusão de inúmeras atividades que uma pessoa executará. Segundo o autor, na mesma velocidade em que determinadas áreas e empresas sucumbirão aos avanços, outras surgirão.

Mas afinal, o quais serão as aptidões necessárias?

Conforme, estudo desenvolvido por Thomas Philbeck, serão necessário: a capacidade de rápida adequação as ferramentas introduzidas, trabalhos com diversas pessoas e multi tarefas, o que, ao final, conclui por toda ideia criada que as profissões do futuro não derivarão propriamente de um diploma.

Por consequência, tudo isso também afetará as famílias, uma vez que o chavão estudar para uma carreira/emprego não mais se enquadra neste universo constantemente inovador. As famílias terão que se libertar de determinismos ou de talhar seus filhos para cargos que consideram “trabalhos legítimos”.

Por derradeiro, em meio a tanta especulação, pavor e sonhos, interessante contextualizar a famosa frase de Elbert Hubbard, conjecturada há mais de 100 anos, mas que nunca foi tão atual e até mesmo esclarecedora: “Uma máquina pode fazer o trabalho de cinquenta pessoas comuns, nenhuma máquina pode fazer o trabalho de uma pessoa extraordinária.”

 

Conclusão

A temática que envolve a inteligência artificial aplicada aos postos de trabalho e seu consequente impacto possui margem de discussão imensa. Assim, por óbvio, este artigo jamais atingiria tamanha proporção, isso em razão dos diversos estudos e visões que emergem destes pontos levantados.

A relevância do estudo aprofundado sobre os impactos da AI, e, por consequência, da indústria de realidade aumentada, são importantes para cada profissional, independente da área, uma vez que nenhuma profissão será mais a mesma, ou ao menos, como inicialmente conheceu.

Observa-se que a depender da linha que se aborda, teremos desde uma visão apocalíptica, até aquela mais otimista, mesmo não havendo uma análise de certeza. Fato é que a Indústria sob essa sistemática é questão de tempo, ouso arriscar, de pouco tempo, sendo assim, resta a questão: o que você faria caso seu ofício deixasse de existir ou fosse profundamente alterado?

 


Bibliografia
Susskind, Richard, Susskind, Daniel- livro Future of the professions: How Technology Will Transform the work of the human experts – Oup Oxford, 2015.
Schwab, Klaus. Editora edipro, 2019, Livro: A quarta Revolução Industrial, pág. 12.
https://www.oxfordmartin.ox.ac.uk/downloads/academic/The_Future_of_Employment.pdf – Michael Osborne e Carl Frey, pesquisa em 2013. acesso em 08/07/2019
https://www.youtube.com/watch?v=EPU4nzwm_FY – Futuro do trabalho- canal youtube- pesquisador Ronaldo Lemos – acesso em 10/07/2019
https://www.youtube.com/watch?v=wWr3f5_rqEI – “Como vamos dominar a quarta revolução industrial é o grande desafio”, diz Klaus Schwab- Globonews – acesso em 10/07/2019
https://www.youtube.com/watch?v=uORgSCHCUfI – Globonews – Milênio Daniel Susskind, professor de Oxford e Harvard, fala do futuro das profissões. Acesso em 12/07/2019
https://www.youtube.com/watch?v=7IDuGMD1Oec – Milênio- Globonwes- O trabalho na quarta revolução industrial, por Thomas Philbeck. Acesso em 12/07/2019
https://www.youtube.com/watch?v=Oud-85M_MXE -canal- Arthur Igreja- O QUE SÃO TECNOLOGIAS EXPONENCIAIS? – Arthur Igreja. Acesso em 24/07/2019
https://www.youtube.com/watch?v=RPMUwoMJr2A – A industria 4.0 e o Emprego 4 0 – 2º Seminário Internacional Segurança e Saúde no Trabalho – TRT9. Acesso em 02/07/2019
https://www.youtube.com/watch?v=_bto6-wuns4 – Palestra: O Profissional do Futuro- Arthur da Igreja Acesso em 24/07/2019.
https://www.youtube.com/watch?v=Yumicqa8r38 – Palestra Ricardo Amorim- O futuro chegou. Você está pronto? | Ricardo Amorim | TEDxDanteAlighieriSchool- Acesso em 20/07/2019

Francieli Scheffer Hahn
Francieli Scheffer Hahn
Advogada atuante no ramo laboral (Direito Individual e Coletivo). Graduada em Direito pela Faculdade Metropolitana de Blumenau (2016), especialista em Direito do trabalho para Gestão de Pessoas pela INPG Business School (2018).
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