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Os últimos dias foram pesados em termos de agressão a direitos humanos, referimo-nos ao atentado em França e às discriminações que povoaram a mídia de comunicação digital por conta do elenco feminista de um remake de filme.

No caso do cinema, a atriz Leslie Jones declarou em sua rede que jamais havia sofrido tamanha discriminação racial como nas últimas semanas por conta de estrelar o filme “Ghostbusters”.

Já na região de Nice dezenas de franceses foram atropeladas por caminhão, até agora se apurando tratar de atentado, sem qualquer motivo senão o genocídio de inocentes que sofrem o descalabro do terrorismo.

O prestigiado professor de Harvard, Michael Sandel esteve no Brasil a pouco tempo, falando de seu curso “Justice” onde aborda os temais contemporâneos ligados ao problema da justiça, e, destacou um problema Ético em nossa cultura.

Em entrevista cedida para a Exame.com[1] foi destacado que por muito tempo nossa sociedade preocupou-se com a gestão de serviços públicos, o programa prestacional do Estado do Bem-estar, a educação formal adulta por meio de Prouni ou Fies, porém, nos esquecemos do básico: formação ética.

O jeitinho brasileiro que é a aplicação da famosa Lei de Gérson conduz à promoção do que é precificado, da obtenção de vantagem econômica, sobreposição de forças de poder, mas, coloca em penumbra o valor que as coisas devem ter em sua conquista e seu respeito.

Mas, enfim, o que é a tal Ética? De acordo com Vásquez, “é ciência de uma forma específica de comportamento humano”. Seu campo de estudo é a prática da vida cotidiana do homem, aquilo que ele faz e como faz.

A Ética é a ciência do outro, conforme ensina Vásquez, “trata-se, por sua vez, de problemas cuja solução não concerne somente à pessoa que os propõe, mas também a outra ou outras pessoas que sofrerão as consequências da sua decisão e da sua ação”.

Comportamento ético é comportamento valorado pela sua consequência na vida do outro, é um círculo intermitente e reflexivo. A boa ação pode contaminar os outros a praticarem boas ações, e o contrário também é o verdadeiro.

Mensurar o comportamento pela ética é pensar no valor que a ação e a coisa têm, e não apenas no seu preço economicamente apreciável, afinal, a precificação apenas segrega os homens por estrato e camada social.

A vida e a dignidade têm valor intrínseco indissolúvel, razão pela qual não compete apenas ao nosso texto constitucional enunciar lá no art. 5º que a vida é inviolável, se no plano dinâmico das relações sociais nada for feito no choque das condutas.

Precisamos falar da eficácia horizontal que o simbolismo constitucional deve nos emprestar, nos valores que devem irradiar nas relações entre as pessoas, calcando nossa prática e educação menos no preço, pois, afinal de contas, quem dá e tira o preço é o próprio homem.

 


[1] SANDEL, Michel. Combate à corrupção requer mudança cultural, diz filósofo. Disponível em: <http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/1086/noticias/combate-a-corrupcao-requer-mudanca-cultural-diz-filosofo>.

_____________. Curso Justiça, do filósofo Michael Sandel, chega ao Brasil. Disponível em: <http://alias.estadao.com.br/noticias/geral,curso-justica–do-filosofo-michael-sandel–chega-ao-brasil,1769574>.

_____________. Justiça – o que é fazer a coisa certa? São Paulo: Civilização brasileira, 2016.

VÁSQUEZ, Adolfo Sánchez. Ética. São Paulo: Civilização Brasileira, 1996, 15 ed.

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