Laedison dos Santos é morador de rua em São Paulo e passa os dias em um barraca de camping embaixo do Viaduto de Chá, na região central da cidade.
Ele cursa o último ano de direito na Uniesp (União das Instituições de Ensino de São Paulo), onde tem bolsa integral e mora na rua.

Laedison pedia ajuda nas ruas, segundo seu próprio relato, ele sempre era maltratado nas ruas. Fato este que mudou, ao abordar três estudantes, que lhe deram atenção e ouviram pacientemente sua história.

Após conversar com Laedison, uma das estudantes, Yanca Araújo, contou a história do morador de rua no seu Facebook. O post dela se espalhou rapidamente pela rede.

Confira o post na íntegra:

Esse é o Laedison. Sim, ele é negro, e não, ele não rouba, ele não usa drogas e não me parou pra pedir esmola. Ele viu eu e umas amigas e disse que não costuma parar pra conversar porque as pessoas são rudes, mas que por algum motivo Deus mandou ele ao nosso encontro.

Ele começou dizendo “as mulheres são mais gentis, né?” e depois contou atordoado que tinha tentado conversar com um homem antes e o mesmo o respondeu mandando ele ir roubar. Passamos a ouvi-lo quando o mesmo nos surpreendeu tirando do bolso sua carteira de trabalho e o documento que comprova sua matrícula na faculdade.
Sim, faculdade, bolsa de 100%, último ano de direito na UNIESP. Foi aí que sentimos que tínhamos de ouvir toda a história.

Natural de Salvador, veio pra SP em 2007 acompanhado da esposa em busca de melhores condições de vida. Em 2009 ela faleceu e como não podia ter filhos, ele ficou sozinho. Quando perguntamos de seus parentes ele disse que tem até o telefone de seu pai, mas que o mesmo o rejeita e o disse uma vez que o único caminho dele era ser marginal, então foi aí que ele decidiu que seria diferente.

É claro que a duvida corria na cabeça “como um morador de rua pode fazer faculdade?” então ele nos explicou que paga R$17,00 por noite pra dormir num lugar coberto e que tinha sim livros da faculdade e ternos, mas que o “rapa” os levaram (policial ou fiscal encarregado de apreender mercadoria de camelôs) é claro que ele deve ter lutado pra ficar com seu material, mas é muito mais fácil julgar alguém sem antes conhecê-lo.
Ele olhou pra mim e disse “Aí é dificil sabe, eu tenho vergonha de entrar na faculdade vestido assim..” Aí não aguentei e as lágrimas começaram a rolar, quando olhei, além das minhas amigas o senhor já se encontrava emocionado também. Quando lhe pedimos um abraço ele disse “eu não sou dígno de te abraçar” quem dera ele soubesse quão digno é.
Lhe perguntei se podia tirar uma foto dele e contar sua história, ele ficou muito animado e logo aceitou. Sempre repetindo que Deus tinha nos enviado justamente na hora em que ele precisou. Chorava dizendo que pensou sim em desistir, que já lhe ofereceram muito dinheiro pra trabalhar semanalmente vendendo drogas mas que o sonho dele era ser advogado e disso ele não podia desistir. Ainda repetia “Ei moça, eu prometo! eu não uso droga nenhuma, só bebo as vezes porque é difícil demais aguentar a solidão.” O senhor Laedison não parou de derramar lágrimas desde então e nos pediu pra que não abandonássemos ele.
A essa altura nem se eu quisesse eu o deixaria lá sem prometer voltar pra ajudá-lo. Então hoje, não faço por mim, faço por quem me vê lá de cima e coloca situações como essa em minha vida só pra mim ter a certeza de que meu propósito nessa vida é muito maior do que eu imagino.
Eu e as meninas prometemos que vamos ajudá-lo então estaremos arrecadando roupas e calçados masculinos pra que ele possa voltar a frequentar a faculdade, ele nos contou que como está no ultimo ano logo tem a prova da OAB e como levaram seu terno ele precisa de um novo.
Ele também precisa estudar para a prova e sem os livros não tem como, não sei especificamente que livros são utilizados na faculdade de direito mas toda ajuda é bem vinda.
É horrível não termos a noção de como o preconceito racial machuca. Ele é negro sim e devia ser lembrado todos os dias do valor que tem por não ter condição nenhuma e mesmo assim não desistir de ser alguém. As vezes temos tudo na mão e temos preguiça ou temos a mania ridícula de reclamar de barriga cheia. Sou a favor de todo e qualquer sonho e tudo que eu puder fazer pra esse senhor realizar o seu eu farei.

Fonte: Facebook
Fonte: Facebook

Diante da repercussão nas redes sociais, as estudantes resolveram criar a página “Ajudando Laedison” para concentrar as novidades e doações.

Além da vaquinha online, as garotas estão aceitando doações de roupas e livros preparatórios para o exame da OAB ou de outras áreas do direito.

Na página do Facebook, é possível conferir as medidas de Laedison e os endereços para enviar roupas e livros.
Clique aqui e veja como ajudar.

Laedison está inscrito na OAB/SP como estagiário.
inscricao-estagiario-oab-laedison

O sonho de Laedison é ser advogado. E por sua vontade de vencer, ele vai realizar! Ele merece!

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