terça-feira, 21/maio/2024
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Resolução de Ano Novo: superar a Síndrome do Impostor(a) no Trabalho

Coordenação: Francieli Scheffer

“Eu sou boa o suficiente?” Esse questionamento foi feito pela ex-primeira-dama dos Estados Unidos e advogada graduada pela Harvard Law School, Michele Obama, que declarou sofrer da Síndrome da Impostor(a), assim como a Chefe das Operações globais do Facebook Sheryl Sandberg e o ator Tom Hanks.
O termo Síndrome do Impostor(a) ainda é desconhecido por muitos profissionais, no entanto, ele tem tornando-se cada dia mais presente no mundo do trabalho. Embora tenha a denominação de Síndrome do Impostor(a), não se trata de uma doença, mas de um fenômeno pelo qual o profissional sente-se uma fraude ao descredibilizar o seu desempenho profissional e não considerar as suas potencialidades para assumir uma vaga de emprego ou para progredir na carreira.
O conceito foi descrito por duas psicólogas norte-americanas Pauline Rose Clance e Suzanne Ime, em 1978. Segundo as autoras, todos estão suscetíveis a vivenciarem a Síndrome em algum momento da vida profissional, funcionando a mesma como um mecanismo de defesa. Esse sentimento está relacionado com um conjunto de fatores fundamentados nas crenças sociais, que fazem com que os profissionais se sabotem ao enfrentarem novos desafios, acreditando que só estão ocupando determinado cargo por sorte e não por uma questão de mérito, bem como receiam que os outros descubram que eles são uma fraude intelectual.
​O Journal of Behavioral Science publicado em 2011 observou que cerca de aproximadamente 70% das pessoas sentirão a síndrome do impostor(a) durante a vida. Ocorre, porém, que de acordo com as psicólogas que designaram o conceito, embora a síndrome possa acometer qualquer pessoa no ambiente de trabalho, por questão de estereótipos, ela é mais evidenciada nas mulheres:
“Certas dinâmicas familiares precoces e posterior introjeção de estereótipos de papel sexual social parecem contribuir significativamente para o desenvolvimento do fenômeno impostor. Apesar das realizações acadêmicas e profissionais de destaque, as mulheres que experimentam o fenômeno impostor(a) persistem em acreditar que realmente não são brilhantes e enganaram qualquer um que pense o contrário”.
Nesse mesmo sentido, a Pesquisa realizada pela KPMG intitulada “Acelerando o Futuro das Mulheres nos Negócios” constatou que até 75% das executivas pesquisadas relatam ter experimentado pessoalmente a síndrome do impostor(a) em certos momentos de sua carreira. Outros 74% delas afirmam crer que seus colegas do sexo masculino não sentem tantas dúvidas sobre si mesmo quanto as líderes do sexo feminino.
A pesquisa ressalta ainda, que 37% das executivas pesquisadas indicaram que sentiram a síndrome da impostora depois de se tornarem mães. O contexto pandêmico também, em virtude da mudança repentina na rotina e a exigência de adapta-se as novas demandas de trabalho, ensejou o fenômeno do impostor(a), haja vista, a necessidade de adaptação às novas formas de trabalho.
A síndrome do impostor(a) pode levar a autossabotagem, a procrastinação ou até mesmo nem tentar algo que se quer, já que a falha será a comprovação da sua incapacidade. Também pode levar a uma sobrecarga, com a finalidade de compensar a falta de capacidade, além de esforço exagerado em mostrar resultados. A insegurança profissional faz parte da socialização sendo fundamental entendê-la, logo, para superá-la, faz se necessário aprender a aceitar elogios e reconhecer seus pontos fortes.
As exigências capitalistas acabam por introduzir uma certa perfeição e altos desempenhos, bem como as mídias sociais acabam exaltando as qualificações profissionais de cada um, intensificando esse sentimento de impostora no ambiente de trabalho, fazendo com que trabalhadores sintam-se incapaz de ter realizado algo muito bom e bem-sucedido, mesmo já realizando projetos similares. Portanto, como resolução de Ano Novo, o trabalhador deve acreditar no seu potencial e celebrar as suas conquistas, aceitando que falhas acontecem e se deve aprender com elas.

Referências Bibliográficas:
The Imposter Phenomenon, Journal of Behavioral Science, 2011.
KPMG. Acelerando o Futuro das Mulheres nos Negócios. Disponível em : https://assets.kpmg/content/dam/kpmg/br/pdf/2021/03/Sindrome-da-Impostora.pdf.
CLANCE,Pauline Rose; IMES Suzanne. The Imposter Phenomenon in High Achieving Women: Dynamics and Therapeutic Intervention. Georgia State University University Plaza.Atlanta, Georgia 30303.

Layse Maurício Fortes Gonçalves

Mestre em Relações Sociais e Trabalhistas. Advogada e consultora em ESG Social.

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