Primeiros passos na advocacia – 10 dicas para advogados iniciantes

Primeiros passos na advocacia – Compartilhando um pouco de experiência.

Por: Vinícius Gonçalves Andrade*


Dia 13 de agosto, completou 01 ano desde a minha cerimônia da OAB, data em que finalmente recebi a tão sonhada vermelhinha.
Embora tenha começado a advogar alguns dias antes, quando recebi a numeração, considero esta data como o marco inicial da minha carreira, onde finalmente me vi e fui reconhecido como advogado.
Mas a vida real nos lembra a todo o momento que existe um abismo imenso entre ter a carteira e ser, de fato, um advogado.
E se aprendi algo durante este ano, é que não existem atalhos para diminuir esta distância e somente as experiências adquiridas no dia-a-dia nos preparam, de fato, para a nobre profissão da advocacia.
Mas, se por um lado não existem atalhos, também aprendi que, sozinho, não chegaria a lugar algum, e se tive apoio de colegas e mentores, gostaria de compartilhar um pouco do aprendizado e das dicas que me passaram, na esperança de que venham a ser úteis aos novos colegas que pretendem se aventurar no mundo jurídico.

 

1. Não tenha medo

Baseando-me em minhas próprias experiências, acho que esta talvez seja a dica mais obvia, mas garanto que também é a mais importante.

Passamos 5 anos (ou mais) estudando, lendo, carregando o vade mecum para todo lado, assistindo palestras, audiências, sessões de julgamento, debatendo arduamente – e com propriedade impar – assuntos que nem mesmo o STF consegue resolver, gritamos aos quatro cantos soluções inovadoras e mirabolantes para todos os problemas do mundo jurídico, passamos na OAB, mas não adianta.

Quando é pra valer, a perna treme, as mãos soam frio, a fala embola e não é raro que uma vozinha desesperada sussurre na nossa cabeça: “E agora? Eu não sei nada!!?”.

Por mais que você tenha se preparado, é impossível se formar sabendo tudo. Arrisco dizer que no último dia da minha carreira (que espero que seja longa e vitoriosa), provavelmente não saberei a mínima parte do que poderia, e isso é normal.

Ninguém começa com todas as respostas na ponta da língua, nem com a confiança digna de filmes ou com a segurança de veteranos, mas não podemos deixar que o medo nos congele.

Arrisque, inove, estude, cresça. Não tenha medo de arriscar nem de admitir que não sabe, não tenha medo de perguntar ou de pedir ajuda, não tenha medo de crescer.

 

2. Tenha paciência

Ultrapassado o medo, a segunda dica é ter paciência.

Como eu disse, não existe atalho, não existe um caminho mais curto. No começo de carreira enfrentamos falta de confiança, seja nossa ou do público em geral, e não irão cair clientes do céu.

Todos sonhamos em pegar aquela causa milionária ou aquele caso revolucionário, mas tenha paciência e mantenha o pé no chão.

Se por um lado não devemos deixar que o medo nos limite, não podemos ser inconsequentes e estar atentos a nossa capacidade.

Não existe uma fórmula pro sucesso diferente do que “trabalho e paciência”.

 

3. Não é vergonha pedir ajuda

Você estudou por 5 anos, se preparou, conseguiu seus primeiros clientes, e eis que surge um novo problema: O tempo todo surgirão demandas desafiadoras, com conteúdo e conflitos que nem sonhamos que existiam na faculdade.

Esta é a beleza da advocacia. Cada novo caso é um desafio e existem tantas relações, contratos, situações, que sempre podemos nos ver diante de uma caixinha de surpresa.

Pelo que tenho aprendido e observado, mesmo advogados experientes sempre se vêem diante de situações assim e não há nada de errado em admitir que não sabe e correr atrás de ajuda.

O orgulho pode se tornar o pior inimigo de um jovem advogado, portanto lembrem-se: Estamos começando, não temos a obrigação de ter todas as respostas, mas temos uma responsabilidade de buscar sempre aprender, portanto…

 

4. Tenha mentores

Sim, não existem atalhos. Mas ninguém disse que precisamos correr sozinhos e descobrir tudo na base da tentativa e erro.

Durante o curso nos deparamos com professores fantásticos e nos estágios sempre conhecemos profissionais mais experientes que podem se tornar valiosos aliados durante a carreira.

É sempre interessante nos cercarmos de profissionais admiráveis que possam servir como um espelho e uma bússola moral e profissional, e que no futuro, podem ser também colegas em casos isolados ou mesmo em parcerias duradouras.

Mas não apenas professores e advogados mais experientes podem ser valiosos aliados.

 

5. Invista no seu networking

É sempre bom manter profissionais mais experientes por perto, mas não somente de mentores se constroem parcerias úteis.

Durante o curso cada um de nós demonstra aptidão para uma área específica do direito, então por que não manter contato com aquele colega que domina melhor uma área diferente?

A advocacia não é uma trajetória solitária e não é incomum reunir esforços com colegas para resolver casos.

Tudo é um crescimento, pessoal e profissional, portanto não se isole.

 

6. Procure sempre entender (e atender) seu cliente

O cliente SEMPRE irá procurá-lo com um único objetivo: Resolver um problema.

Mas o que ele espera vai muito além. Seu cliente quer – e precisa – ser ouvido, ser orientado, e saber que está lidando com alguém que o entende e que o valoriza.

Saber ouvir pode parecer algo simples mas na prática não é. Precisamos encontrar um equilíbrio em dar liberdade para que o cliente converse e conte os detalhes de sua demanda, mas também precisamos ter a capacidade de guiar a consulta para os pontos que realmente importam, precisamos saber identificar os elementos chave da narrativa apresentada e principalmente entender que seu cliente tem um conflito nas mãos.

Muitas vezes somos procurados por pessoas que estão enfrentando dissabores e frustrações e naturalmente isso pode prejudicar o tom com que os fatos são narrados, podendo nos levar a uma percepção distorcida da situação.

Lembre-se sempre que seu cliente está te procurando pois precisa de ajuda, portanto demonstre empatia mas também busque se manter neutro e atento.

 

7. Seja um resolvedor de problemas

Seu cliente te procurou com um único objetivo. Seja para uma simples consulta, seja para patrocínio da demanda, tudo o que ele quer é uma solução.

E aqui temos uma das maiores dificuldades vivenciadas pelo advogado. Normalmente ele espera uma solução imediata, simples e de baixo custo.

Saber analisar a demanda e identificar soluções praticas e eficientes é um elemento chave para o advogado, algo que adquirimos com o tempo, estudo e experiência.

Analise a situação, trace planos de ação e sempre mantenha como foco o resultado.

Mas cuidado para que não se torne sua marca uma atuação em que fins justifiquem meios.

 

8. Valorize seu trabalho

No começo de carreira somos bombardeados com a dura realidade de que não temos experiência nem fama como advogados bem colocados no mercado, e temos pressa para formar nossa carta de clientes.

Desta forma, em busca de um diferencial a ser ofertado, acabamos tentados a aceitar honorários “não tão altos”, afim de conquistar o cliente.

Deixando de lado a imposição da Ordem, com a tabela de honorários (que deve sempre ser respeitada), é claro que não podemos cobrar, com duas semanas de carreira, os mesmos valores que medalhões do direito e seus escritórios gigantes.

Mas faça um favor a sí mesmo e respeite todo o trabalho que você teve até aqui.

Foram 5 anos – no mínimo – de faculdade, noites e noites em claro, milhares de páginas de doutrina, simulados, palestras. Não diminua seu talento e competência aceitando valores que não condizem coma importância do seu trabalho.

Você não quer ser conhecido pelo seu preço e sim pela qualidade do seu trabalho.

 

9. Saiba ouvir críticas e absorver o que for construtivo

Você é um jovem advogado, se aventurando e dando seus primeiros passos.

Nada será tão aterrorizante quanto a ideia de que a qualquer momento você pode cometer um erro.

Mas existe algo muito pior do que errar: Errar acreditando que está certo.

Nos deparamos constantemente com situações novas e acabamos nos apegando aos resultados, correndo o risco de cometer pequenos deslizes no caminho que passam despercebidos e que podem se tornar hábitos destrutivos.

Seja no trato com o cliente, seja em atos administrativos ou jurídicos, quando deixamos a tutela de nossos professores e trilhamos nosso próprio caminho, muitas vezes deixamos pra trás qualquer mecanismo de avaliação, o que é um erro.

Você pode achar que pedir um feedback aos seus clientes talvez demonstre insegurança, mas receber críticas e opiniões sobre seu trabalho acelera seu amadurecimento profissional e o crescimento do seu escritório.

É claro que nem sempre este retorno será positivo, e eventualmente nos depararemos com clientes insatisfeitos – e com críticas bem ácidas.

Faz parte do aprendizado e do crescimento, desde que saibamos extrair o que houver de construtivo e não deixar que isso abale nossa confiança.

 

10. Cuide da aparência, e isso não se limita às suas roupas.

Me arrisco a dizer que nenhuma outra profissão exija tanto uma aparência específica quanto a advocacia.

Não me orgulho disso, mas infelizmente é assim que as coisas funcionam e devemos dançar conforme a música.

Seu cliente tem uma imagem estereotipada de advogados (muitas vezes negativa diante da forma como somos retratados no imaginário popular) e acredite, a primeira impressão que passar a ele definirá toda a relação entre vocês.

Mas muito se engana quem acredita que a chave da aparência de um advogado se limita às suas roupas.

É claro que é indispensável uma vestimenta forma, sejam os tradicionais ternos para os homens ou a mais flexível (nem tanto) regra de vestimenta social para mulheres, um calçado adequado, uma aparência organizada e limpa.

Mas tenho observado que mais do que a graxa dos seus sapatos, seus clientes observarão sua postura.

Transmitir um ar de calma, segurança, profissionalismo, são essenciais. Um bom aperto de mão, um olhar firme e um sorriso ainda abrem portas, e acredito que assim permanecerão por muito tempo.

 

*Vinícius Gonçalves Andrade, colaborou com nosso site por meio de publicação de conteúdo. Ele é Advogado formado pela Faculdade de Direito Milton Campos. Fundador da Vinícius Andrade Advocacia e Consultoria. Pós-Graduando em Direito Tributário pela Escola Superior de Advocacia da OAB/MG. Atua nas áreas de Direito Civil, Direito do Consumidor, Direito dos Animais, Direito de Família e Análise Estratégica em Execução Cível.

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