O dissídio coletivo é uma ação por meio da qual os atores sociais – sindicatos das categorias profissional e econômica – discutem uma pauta de reivindicações envolvendo direitos e interesses abstratos da categoria. Trata-se de medida judicial que tem por objetivo a criação, a modificação ou extinção das condições de trabalho e de remuneração, com base no princípio da autonomia privada coletiva, também chamado de autonomia sindical ou autonomia coletiva dos grupos, pautado que está no inciso XXVI do artigo 7ª da Constituição da República Federativa do Brasil.

De se ver que o dissídio coletivo encontra-se disposto nos artigos 856 e seguintes da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), bem como no artigo 114, § 2º, da Lei Maior, fruto da manutenção do poder normativo da Justiça Trabalho, por força da Emenda Constitucional (EC) nº 45, de 30 de dezembro de 2004.

A par disso, como medida a conferir aplicabilidade às obrigações decorrentes do dissídio coletivo, e que passam a compor a denominada “sentença normativa”, o ordenamento jurídico pátrio previu a chamada “ação de cumprimento”, disciplinada pelos artigos 872 e seguintes da CLT. E sobre esta temática é que o Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão proclamada no dia 7.5.2015, no Recurso Extraordinário (RE) nº 428.154, reafirmou o entendimento de que a extinção da decisão proferida em ação de cumprimento, quando decorrente da perda da eficácia da sentença normativa que a ensejou, não implica violação da coisa julgada.

Na ocasião, prevaleceu a tese exarada no voto condutor do Ministro Luís Roberto Barroso, para quem, conquanto seja admitida a propositura de ação cumprimento antes do trânsito em julgado do dissídio coletivo, necessária se faz a confirmação da sentença normativa, haja vista seu caráter condicional. Assim, se houver a modificação da sentença normativa, com o julgamento do processo, sem resolução do mérito, por consequência lógica há de se julgar extinta execução que tinha por fundamento o referido título excluído do mundo jurídico.

Ao assim decidir, a Suprema Corte corrobora o entendimento já adotado e que vem sendo aplicado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), conforme se infere da leitura da Orientação Jurisprudencial de nº 277, da Subseção de Dissídios Individuais (SBDI-1), a saber:

OJ-SDI1-277 AÇÃO DE CUMPRIMENTO FUNDADA EM DECISÃO NORMATIVA QUE SOFREU POSTERIOR REFORMA, QUANDO JÁ TRANSITADA EM JULGADO A SENTENÇA CONDENATÓRIA. COI-SA JULGADA. NÃO-CONFIGURAÇÃO (DJ 11.08.2003).
A coisa julgada produzida na ação de cumprimento é atípica, pois dependente de condição resolutiva, ou seja, da não-modificação da decisão normativa por eventual recurso. Assim, modificada a sentença normativa pelo TST, com a consequente extinção do processo, sem julgamento do mérito, deve-se extinguir a execução em andamento, uma vez que a norma sobre a qual se apoiava o título exequendo deixou de existir no mundo jurídico.

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Ricardo Souza Calcini é coordenador acadêmico a coluna "Trabalhista in foco" no Megajurídico. Professor de Direito do Trabalho em Cursos Jurídicos e de Pós-Graduação (ESA, FADI, EPD, Damásio, Kroton e FMU). Palestrante em Eventos Corporativos nas áreas Jurídica e de Relações Trabalhistas e Sindicais. Instrutor de Treinamentos “In Company” e Sócio de Ricardo Calcini - Cursos e Treinamentos. Organizador da obra “Perguntas e Respostas sobre a Lei da Reforma Trabalhista”, publicada pela Editora LTr (2019). Organizador da obra “Reforma Trabalhista na Prática: Anotada e Comentada” (Lei Liberdade Econômica), publicada pela Editora JH Mizuno (2019). Coordenador do e-book “Reforma Trabalhista: Primeiras Impressões”, publicada pela Eduepb. (2018). Autor de mais de 100 artigos jurídicos e coautor em obras jurídicas. Eleito como personalidade do ano em 2017 pela ABTD/PR, em parceria com a FIESP, por ter participado de mais de 50 eventos sobre a Nova Lei da Reforma Trabalhista. Membro do IBDSCJ, da ABDPC, do CEAPRO, da ABDPro, da ABDConst, do IDA e da CIELO.

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